Málaga ganha peso na indústria farmacêutica

1 de Março de 2025

Málaga ganha peso na indústria farmacêutica.

O setor do medicamento conta na Andaluzia com um polo de atração crescente. A Pharmavic, empresa especializada em produtos hospitalares de nicho, consolida-se no seu segundo ano de atividade e confirma o seu futuro em I&D+i. Em 2025, a sua intenção é duplicar o portefólio de referências.

A Espanha é um dos países europeus com maior capacidade de atração para a investigação clínica de medicamentos. Segundo o Registro Español de Estudios Clínicos (REec), a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS) autorizou em 2024 um total de 930 estudos, o número mais elevado no continente.

Mas, ao mesmo tempo, o país carece de uma estrutura ampla de empresas com solvência na elaboração e comercialização de medicamentos. E ainda mais na Andaluzia, onde praticamente não existem companhias com capital e sede próprios na comunidade autónoma.

A Pharmavic, uma empresa farmacêutica sediada em Málaga, fundada em 2021 e com atividade comercial desde 2023, é uma exceção. O seu principal foco e posicionamento no mercado centra‑se na venda de produtos hospitalares de nicho em Espanha, principalmente em áreas como oncologia e antibioterapia, nas quais as grandes multinacionais ou não se têm centrado ou se retiraram, embora os pacientes continuem a necessitar desses medicamentos diariamente, segundo o seu CEO, Juan Antonio Vargas Ramírez: “Hoje podemos dizer que estamos a comercializar cinco fármacos, mas ao longo de 2025 ultrapassaremos onze”, afirma. “A nossa mentalidade está sempre aberta a acordos com companhias internacionais, para dar serviço aos pacientes que necessitam desses medicamentos”. De facto, a Pharmavic conta com duas alianças exclusivas com multinacionais para registar novos medicamentos em Espanha.

Experiência e percurso

Vargas possui ampla experiência no setor. Ao longo dos últimos 25 anos desempenhou funções de responsabilidade na indústria farmacêutica, com posições de liderança a nível nacional e profundo conhecimento do mercado espanhol e europeu, tanto em genéricos hospitalares como em investigação em laboratórios líderes (como Abbott, Novartis Oncology ou Teva, onde geria a inclusão de novos fármacos no Sistema Nacional de Saúde através das comunidades autónomas).

E por que se instalaram em Málaga? “Pensámos estabelecer-nos em Madrid (onde eu residia parcialmente devido ao cargo que ocupava) ou Barcelona, os principais polos de atenção da indústria farmacêutica em Espanha”, conta Vargas. “Mas sou malaguenho, a nossa cidade e a nossa comunidade autónoma têm tudo o que é necessário para estabelecer e consolidar uma companhia com as nossas características. Decidimos que seria malaguenha e andaluza”, acrescenta.

Superadas as dificuldades iniciais — “relacionadas com a estrutura de serviços e o nulo conhecimento do setor a nível bancário” —, com esforço, sacrifício e um grande investimento tanto pessoal como económico, “em 2022 obtivemos a licença máxima concedida pela Agência Espanhola de Medicamentos”. Segundo Vargas, o atual governo da Junta de Andaluzia apresentou medidas para que companhias do setor da saúde possam estabelecer-se na região. “Toda ajuda é pouca num setor tão altamente tecnificado e competitivo, mas estamos seguros de que a implementação do plano será benéfica para a Andaluzia”, comenta.

O arranque da Pharmavic ocorreu num momento delicado para a indústria em geral e para a farmacêutica em particular: saía-se de uma pandemia inédita em um século. “Depois da covid‑19 deveríamos ter aprendido a lição, pois houve verdadeiros problemas de desabastecimento de alguns medicamentos”, reflete. “Saber que tens no teu país e na tua região uma empresa farmacêutica daqui deveria ser sempre valorizado”.

Próximos passos

Os responsáveis médicos da Pharmavic estão a ponderar a incorporação ao portefólio da empresa de um importante conjunto de fármacos biossimilares que, na sua opinião, aportariam grande valor no tratamento de muitas doenças. Por outro lado, durante o biénio 2025‑26, a companhia iniciará, em colaboração com a universidade e institutos de investigação, juntamente com profissionais de várias sociedades científicas, uma linha de terapias bio‑regenerativas que procure oferecer soluções atualmente não cobertas, segundo o diretor: “Investir em I&D+i é a nossa próxima fase de crescimento. Para isso queremos apoiar-nos em instituições andaluzas como o CTA”.

Além do crescimento em Espanha, Vargas anuncia que já estão a ser dados passos para expandir a atividade na Península Ibérica: “Já temos um fármaco registado e estamos em conversações com companhias para expandir a nossa atividade no país vizinho”.

Para a realização da sua atividade, a Pharmavic estabeleceu uma rede comercial especializada que conta, em média, com mais de 20 anos de experiência acumulada no mercado farmacêutico hospitalar, característica que dota a companhia de um conhecimento notável e relações sólidas no setor.

“Depois da covid‑19 houve verdadeiros problemas de desabastecimento com alguns medicamentos. Saber que há no teu país e na tua região uma empresa farmacêutica daqui deveria ser sempre valorizado.” Juan Antonio Vargas, CEO da Pharmavic

Vargas menciona a diretora técnica, Andrea Gómez, e a gerente de assuntos regulamentares, María José Perales. “A minha tranquilidade no dia a dia vem de grandes profissionais”, explica. “Ambas são farmacêuticas muito jovens que já acumulam anos de experiência na indústria e na administração, e crescem a cada dia dentro da companhia”. E com esse crescimento interno fomenta-se também a captação de talento. “Ambas trabalhavam em Madrid e, para mim, como andaluz, é um orgulho poder gerar postos de trabalho altamente qualificados na minha terra”, comenta.

A nível de direção, Vargas conta com o aconselhamento de profissionais como André Freitas e Gabriel Díaz, que dirigiram companhias multinacionais. “Mas não gostaria de deixar de citar e agradecer a algumas pessoas que estão ou estiveram no processo, especialmente María José Torres, María Luisa Robles, Mari Ángeles Téllez, Rui Luceiro, Zaida Fernández, e grandes incorporações durante 2024 como Eduardo Coto ou José Miguel Guzmán”. E anuncia o objetivo iminente de crescer em várias posições adicionais este ano.